15 dicas novas de Londres

🇧🇷 Se você está de passagem marcada para Londres, por favor, leia essas dicas! Estive lá durante uma semana em junho e como sempre, tentei descobrir o maior número de lugares novos para o TravelVince.

Londres e eu somos relativamente íntimos. Já fui londrino em outras épocas da minha vida, quando tinha 20 anos e depois com 25. Me achava o suco da goiaba com meu sotaque British e hoje em dia amo voltar para visitar, apesar de sentir um certo vazio em não poder chamar a cidade de home sweet home (até porque Londres é mais bittersweet do que sweet).

ONDE FIQUEI?

Sou bastante fã de East London. Gosto da mistura hipster, gritty, new cool de Shoreditch, Barbican e Islington. Então aluguei um quarto no Airbnb pertinho de Old Street. E foi ótimo pois tinha várias linhas de metrô e ônibus perto de casa, além de poder chegar facilmente a pé em St Paul’s Cathedral para o sul, Spitalfields Market para o leste e Clerkenwell para o oeste. Estava no miolo da coisa. O mais legal é que na rua onde fiquei, a Whitecross Street, tinha feirinha todos os dias (e um Waitrose). Não sou muito de feirinhas, mas pelo menos dava uma clima legal pra rua.

ONDE COMI?

Adorei o Taberna do Mercado, do chef Nuno Mendes, dentro do Spitalfields Market. O queijo de azeitão derretido com fatias de sourdough bread torradas é muito bom. Fora o fato de se falar português no local e de Portugal estar na moda. Conversei com sotaque lusitano para acharem que sou alfacinha e cool ao invés de uma ameaça migratória sul-americana.

É uma casa portuguesa, com certeza. Queijo de Azeitão com pão caseiro no Taberna do Mercado no Old Spitalfields Market

Na mesma Commercial Street, que passa ao lado do mercado, tem uma filial do St John, que é tão British que dá vontade de chorar com o Brexit. A filosofia do lugar é servir local British fare e por incrível que pareça, a comida é ótima. Comi crispy duck e polvo com buttermilk pudding de sobremesa. Foi um dos primeiros restaurantes londrinos com a filosofia do nose-to-tail, em que todas as partes do animais são apreciadas.

Só lembrei de fazer a foto na hora da sobremesa no St John Bread & Wine

Indo em contra da meu manifesto de não repetir restaurantes, tentei comer no indiano Dishoom na frente do Boundary Hotel, mas não rolou porque nas duas vezes que fui a espera era de duas horas. Acho inacreditável que haja 5 Dishoom em Londres e que todos são bombados o tempo todo. Mas a comida vale a pena. Faminto e mau humorado com a fila, saí em busca de algo para comer a.s.a.p. e acabei caindo no Strut & Cluck, também na Commercial Street. Comi a melhor couve-flor assada com tahini das ilhas britânicas e uma salada de pera com queijo de cabra que quase despertou meu inner Lebanese, apesar do restaurante ser mais israelense do que árabe. Bebi uma taça de vinho de Israel, um Montefiore Red em nome da paz no Oriente Médio e a dona me viu hesitante na hora da sobremesa e insistiu que eu pedisse um Kadayif Nest. Foi orgásmico.

Comida maravilhosa do Strut & Cluck

Tá bom… acabei repetindo o Dishoom num outro dia em que a fila de espera do The Granary em King’s Cross estava mais longa que a do Dishoom. E valeu a pena porque veja só essas costelas de carneiro suculentas (outro orgasmo).

Chefs israelenses são a nova onda em Londres depois que o Ottolenghi abriu caminho. Estava na minha mira o The Barbary, no oh-my-god-this-place-is-so-cute Neal’s Yard em Seven Dials, atrás de Covent Garden. O restaurante é microscópico. Na verdade é um bar em forma de ferradura com a cozinha no meio e o pessoal suando a piruca com tanta lenha queimando. Sim, lenha! Para dar gosto especial na comida! Foi uma das melhores refeições da semana em Londres, com essa mistura de sabores do Oriente Médio assados na grelha. Imperdível. O The Barbary é dos mesmos donos do The Palomar. Eles não aceitam reservas, então fui jantar cedo, tipo 5 da tarde, para fazer hora antes da peça The Resistible Rise of Arturo Ui na Donmar Warehouse. Cheguei meio torto no teatro pois bebi duas taças de vinho Roxane the Razor com a comida. By the way, a peça foi ó-ti-ma! By Bertold Brecht e tudo a ver com a Era Trump. Vale a pena ver o que está passando na Donmar na tua viagem (assim como no Sadler’s Wells para espetáculos de dança e nos Trafalgar Studios para peças Made in London).

Meu novo favorito de Londres, o The Barbary

Uma região de Londres que sempre odiei, mas que me surpreendeu, e muito, foi a da Brewer Street, atrás de Piccadilly Circus. Tem um Whole Foods Market enorme, o fofo Ham Yard Hotel e dezenas de restaurantes bacanas ao longo da rua. O hot ticket do momento é o tailandês Kiln, do mesmo dono do Smoking Goat. Esqueça o pad thai e o green chicken curry. No Kiln eles fazem comida típica do norte da Tailândia, com mais temperos (leia-se rather spicy) e muitos frutos do mar grelhados. Comi espetinhos de carneiro, Turbot Sour Yellow Curry e um Shortrib and Wild Ginger que quase arregaçou a capa da minha cabeça, mas amo pimenta, por isso não gritei (nem fiz escândalo do tipo help-give-me-bread-more-water-i-am-going-to-die kind of thing). Superrecomendo.

Comida tailandesa autêntica do Kiln

Ali perto, só que para baixo, em direção a Haymarket, tem uma zona bem posh recém-reformada chamada de St James’s Market. Tem aquela loja über-cool que só de encostar nas roupas você gasta, a Dover Street Market (que, apesar do nome, não é mais na Dover Street), tem uma versão mais acessível do Duck & Waffle, uma filial londrina do nova-iorquino Aquavit e a bakery dinamarquesa maravilhosa e boa para qualquer hora e ocasião Ole & Steen Lagkagehuset. Você pega uma senha na entrada e quando chega a tua vez você não sabe se pede os cinnamon rolls, os smorrebrod em pão de centeio, as nhá-bentas, as saladas com café, com vinho… Mas as atendentes são todas super simpáticas e pacientes (antes de chegar a tua vez elas chegam a ser irritantes de pacientes) e vale a pena esperar que a fila anda médio-rápido. E fica a dica, os banheiros são limpíssimos e a wi-fi poderosa.

Aqui no Ole & Steen eu me permito comer doces

Uma das noites eu fui conhecer o bar do The Zetter Townhouse Hotel que parece a casa de uma tia-avó rica e excêntrica (que não tenho, infelizmente). Meu ex-chefe do One Aldwych agora é manda-chuva do Zetter Hotels e me convidou. Só que fez eu provar três drinks diferentes, que é a especialidade da casa. Tipo, o barman ganhou quinze mil prêmios e eles fazem as bebidas in-house com ajuda de monjas cegas (e virgens) de Canterbury e coisas assim. Saí de lá para jantar no Ibérica de Farringdon com uma amiga espanhola e parecida que haviam aberto um túnel entre Londres e Madrid (inclusive em decibéis). Amei amei amei o Ibérica e sim, a Carmen tem razão, fazem os melhores croquetes do universo. As fatias translúcidas de Jamón Ibérico quase me fizeram chorar de emoção, até porque já estava no meio da garrafa de Vega Sicilia (você deve achar que sou alcoólatra by now, né?).

Outra novidade foi a tarde que passei no The Ned, na City of London. Imagine uma agência bancária das antigas que ocupava a quadra toda transformada em um happening hotel e member’s club assinado por The Soho House. Tudo de bom! São vários bares e restaurantes, sendo a maioria deles no lobby. Você não sabe onde termina um e começa o outro, onde faz check-in e onde é o banheiro. Como era impossível de reservar uma mesa para dois (fui com minha amada Lu Mazzocco) no italiano Cecconi’s (até porque já havia comido no Cecconi’s em Miami) acabamos sentando na mesa mais longa do mundo do Kaia, com comida pan-asiática. Ficamos conversando e comendo durante umas três horas. Fomos de lamb chops e miso black cod para teriyaki salmon, prawn tempura e aspargos assados com sésamo. Ao invés de pedirmos sobremesa no Kaia, sentamos na outra mesa mais longa do mundo do outro lado do corredor, no Zobler’s Deli onde comemos uma cheesecake very very very much à la New York. Os banheiros são no piso inferior, onde tem um salão de beleza  members only e um bar dentro da caixa forte do hotel, também unicamente para members (ainda bem, senão teria bebido ainda mais).

Um dos vários restaurantes no lobby do The Ned

Comida “better-than-Nobu” no Kaia

Mas apesar de todos esses lugares incríveis, o highlight da viagem foi o Restaurant Story, na Tooley Street, em Tower Bridge. Antigamente o lugar era um banheiro público onde rolava a maior pegação (segundo meu amigo local que almoçou comigo). Agora é esse restaurante do chef Tom Seller’s, que prepara um menu-degustação inspirado nas Ilhas Britânicas. Você pode escolher entre a short story (6 pratos) ou a long story (10 pratos) e tem também harmonização de vinhos (alguns vinhos ingleses, believe it or not). Eu adoro essas frescuras de menu-degustação e novas comidas e o Restaurant Story não desapontou. Foi outro longo almoço com ótima conversa e entretenimento garantido a cada explicação de pratos. Lembro de uma vela feita de banha de boi que derretia e a gente passava o pão nesse óleo (tá, não faça essa cara de nojo porque não era tão ruim assim, meio pesado, I agree, mas interessante). Éramos eu e meu amigo e um batalhão de coreanos e japoneses que saíram vestidos do Dover Street Market e tiraram fotos de todos os pratos. Foi uma delícia sair inebriado de vinho e sabores e passear pela beira do rio Tâmisa até a Tate Modern.

Só não comi o guardanapo, mas o resto é todo comestível no Story Restaurant

Delicioso prato com gosto de água suja de mar e limo na pedra no Story Restaurant

ONDE FIZ COMPRAS?

Não fiz compras. Mas para não dizer que não entrei em nenhuma loja, fui até a Daunt Books na Marylebone High Street e descobri outra região linda de Londres. Acho que a Chiltern Street é a rua mais bonita da cidade e passear por ali é descobrir mais um monte de bares, lojas e restaurantes bacanas. Se você conseguir reservar uma mesa no badaladíssimo Chiltern Firehouse, vá antes para passear pela região. Achei o Monocle Café meio apertado e overstated (apesar do café Allpress ser muito bom).

Também entrei na Magma Books para ver livros e revistas, mas consegui sair sem comprar nada. E foi isso. Os cinco dias passaram voando, mas você viu que renderam muito! Isso sem contar que passei uma tarde em Richmond com minha prima e minha tia, que fui ao cinema no Curzon, que corri na beira do rio e que fui para a academia já que não rolou CrossFit dessa vez. Também tomei café da manhã em um Bill’s perto da Tate Modern com a Gi Ruaro e visitei a nova ala da Tate. Ah, e fiz alguns lanchinhos no Prêt-a-Manger para não perder o hábito. Ufa, acabou. A propósito, acho que foram mais do que 15 dicas.

Eu e meu amigo saltando de felicidade depois de vários dias comendo muito bem em Londres

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