As Viagens de 2019

🇧🇷 O ano de 2019 tem sido atípico para mim. Sempre que penso em que ano estamos, penso que ainda é 2018. É como se o ano passado estivesse durando o dobro do tempo. Acredito que seja porque ainda não consegui virar a página de vários dos acontecimentos do ano passado e, no fundo, como diria meu avô, tirei 2019 para deixar as barbas de molho. Com isso, pude retomar atividades de rotina em Curitiba, como ir para a academia e estudar alemão e chinês. Vou correr no parque, vou diariamente para a Pulp, leio livros, etc. E está bem bom.

Ao mesmo tempo, consegui viajar bastante ao longo do ano. O primeiro semestre foi um pouco mais cosmopolita do que o segundo, mesmo assim o balanço é positivo. Sempre é, né? Achei que seria um ano “preso pelas correntes dos compromissos” mas que nada. Deu para circular bastante.

Meu primeiro dia de 2019 foi em Dubai. Acordei na casa da minha amiga Lavita como se estivesse saindo de um coma. Cheguei lá tão cansado no dia 31.12 que não consegui nem ver fogos de artifício à meia-noite. Dormi umas 14 horas seguidas. De Dubai fui para Goa, na Índia. Fiquei uma semana num centro de ashtanga yoga chamado Purple Valley. O lugar é incrível. Foi como se eu tivesse entrado na tela do meu computador, já que aprendi a praticar ashtanga com os vídeos desse lugar no YouTube. Deu para resetar a cabeça. O corpo nem tanto, pois fazíamos duas práticas de yoga por dia. De Goa voei para Chennai, que antes se chamava Madras. Gostei bastante de conhecer essa cidade grande do sul da Índia onde se come muito bem. Fiquei fã da rede de restaurantes Saravana Bhavan. Meu aniversário eu passei em Cochin, na Costa das Especiarias, em meio a coqueirais e lagoas. Cochin é cheia de história e tem uma mistura de gente do mundo todo. O mais legal dessa viagem para a Índia foi o trajeto de trem de Cochin até Trivandrum, bem na pontinha sul. Fiquei horas sentado na porta do vagão vendo o mundo passar bebendo chai.

No Carnaval, fiz uma viagem bem diferente. Viajei para dentro de mim. Fiz um curso de meditação Vipassana perto de São Paulo. Foram 10 dias em silêncio, meditando cerca de 8 horas por dia. Foi uma experiência e tanto. Houve momentos bem difíceis, mas no geral consegui não enlouquecer e aproveitar a oportunidade que me foi dada. Saí de lá bem melhor do que entrei. Ainda preciso fazer um post para contar da experiência e incentivar quem possa ter interesse. Aguarde.

A grande expectativa que tinha era a viagem para o Sudão, em abril. Sobre essa viagem eu já escrevi. Estava ainda em modo Vipassana, por isso as horas de caminhão pelo deserto me fizeram meditar ainda mais. Pelo menos no Sudão eu podia escutar música e conversar com meus companheiros de viagem. Meu plano era, do Sudão, seguir para a Eritreia. Só nem tudo nesse mundo é assim tão fácil. As combinações de voo e o preço do visto, que tem que ser comprado junto com um tour, me fizeram deixar para outra vez. Como tinha 5 dias “de sobra” coloquei as datas no Google Flights e apareceu um voo bem barato para Yerevan, na Armênia. E lá fui eu, do Sudão para a Armênia.

A Armênia é um desses lugares que faz a gente questionar todas as aulas de história e essa divisão do mundo em continentes com fronteiras tão específicas. Isso porque ela fica “na porta de trás da Turquia”, escondida na sombra do enorme Monte Ararat. Mas a fisionomia das pessoas, a cultura, a arquitetura de Yerevan e a sensação em geral é de estarmos no meio da Europa. Segundo os armênios, o mundo começou ali duas vezes. A primeira foi com o Jardim do Éden, que ficava nos arredores de Yerevan. E, a propósito, Eva não comeu uma maçã e sim uma romã. A segunda vez foi depois do dilúvio, pois a Arca de Noé encalhou bem no Monte Ararat e foi Noé e seus filhos que repovoaram o mundo. Genial, não? Somos todos descendentes dos Kardashian.

Em maio foi a vez de dar um pulo em Londres. A viagem foi um presente de Natal para minha afilhada Olivia. Uma das melhores amigas dela se mudou para lá e, por coincidência, uma das minhas melhores amigas também. Foi rapidinho, mas deu para aproveitar bastante. Revi meus queridos amigos londrinos, visitei exposições, restaurantes e conheci melhor o sul da cidade. Continuo amando Londres do fundo do meu coração.

Logo em seguida embarquei para Istambul, onde fiquei quase 40 dias (e contei a respeito num post). Dei um pulo até a costa do Mar Egeu para conhecer Alaçati e Çesme com água transparente, ruelas cobertas de azaleias e comida maravilhosa. Ainda neste mesmo “séjour”, fui até Kiev, que eu não sabia que tem tudo a ver historicamente com Constantinopla (mas isso eu conto em um outro post) e Chernobyl, na Ucrânia. Sobre Chernobyl eu já escrevi também.

Antes de me despedir de Istambul, fui visitar Mardin, na fronteira com a Síria. Mardin é uma cidade histórica, que fica em um penhasco e foi um centro importante para os sírio-ortodoxos. O centro histórico parece saído de um conto das Mil e Uma Noites. O resto é mais normal e sem grande charme. Há poucos turistas estrangeiros por ali. Quem lota os hotéis e restaurantes são os turcos mesmo. A região é um pouco “tensa” com forte presença do exército turco e uma repressão aos curdos.

Como escrever, viajar é seguir adiante por linhas tortas. Reservei minha volta ao Brasil via Baku, no Azerbaijão. Tudo a ver, né? Mas fazia anos que queria visitar o Azerbaijão, mas que nada para ver o Heydar Aliyev Center assinado pela arquiteta Zaha Hadid. E foi uma surpresa incrível! Assim como a Armênia (e a Geórgia), o Cáucaso é um pedaço de Europa deslocado para esse espaço entre a Turquia, a Rússia e o Irã. Fiquei em um hotel bem pequeno, mas delicioso e super bem localizado chamado Dinamo. Durante o dia, pegava metrô e ônibus e ia explorar a cidade e a região metropolitana. Consegui que abrissem a nova mesquita Heydar Aliyev para eu visitar (e o cara ainda fez uma foto minha lá dentro). Gostei muito do Azerbaijão e é uma pena que esteja em guerra com a Armênia.

Em agosto fiz minha viagem nacional. Fui aos Lençóis Maranhenses e escrevi um post sobre a viagem. Adorei e quero muito voltar para lá  um dia. Ainda estão na minha lista vários lugares pelo Brasil. Tento visitar ao menos um por ano. Para longe fui agora em outubro. Passei uma semana no Líbano, pouco antes dos protestos começarem. Come-se divinamente bem por lá e meu roteiro foi quase todo baseado em restaurantes e vinícolas. Na volta para o Brasil deu para parar em Doha, no Catar, e visitar o novo Museu Nacional do Catar. Recomendo.

Antes do fim do ano tenho mais uma viagem agendada. Vou, outra vez, para o interior de São Paulo e de mim mesmo no meu segundo retiro de silêncio Vipassana. Serão mais 10 dias sem comunicação com o mundo exterior nem com as pessoas que também estão fazendo o curso. Com isso fecho o ano e posso virar a página para dar as boas vindas a 2019. Epa, a 2020. Quem sabe ainda antes do Natal eu escreva a respeito desses cursos e vai que você resolve fazer um no ano que vem. Sobre meu fim de ano eu conto só em 2020, pois ainda é surpresa kkkk.

Post sobre a viagem ao Sudão
Post sobre os dias em Istanbul
Post sobre Chernobyl
Post sobre a viagem para os Lençóis Maranhenses
Para saber mais sobre Vipassana pelas palavras da jornalista Eliane Brum (que me inspiraram a ir fazer o primeiro curso)

 

Related Posts

Drinking coffee in Sarajevo

Lençóis Maranhenses

Dois dias em La Paz