Coronadays 20.03.2020

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Me on my balcony | 20.03.2020

🇧🇷Escrevo essas linhas aqui do meu confinamento, que hoje chamamos de distanciamento social ou quarentena. Desta vez não estou num retiro nos Himalaias ou acampado no deserto do Sudão. Estou em casa e espero que você também. As últimas semanas têm sido nada menos do que surreais. Há momentos em que me pego pensando que não pode ser verdade tudo isso que está acontecendo, que em algum momento alguém vai dizer que tudo passou. Mas não adianta me enganar. Uma frase que recebi recentemente pelo WhatsApp diz assim: “O pessimista reclama do vento, o otimista espera o vento passar e o realista ajusta as velas do barco”. Estou ajustando as velas há dias e sei que você também está.

Naquela vida anterior, estaria embarcando para Pequim. Estava matriculado em uma escola de Mandarim. Passaria dois meses na cidade, explorando suas ruas e pontos turísticos. Iria fazer viagens de trens de alta velocidade nos finais de semana e quando o curso acabasse pegaria o trem para Ulaanbaatar, na Mongólia, para fazer uma viagem de acampamentos pelo deserto de Gobi. Minha dúvida era voltar para o Ocidente pela ferrovia Transiberiana ou pegar o voo de volta via Istambul e conquistar a Europa como os Otomanos. Passaria o verão nadando pelado nos lagos de Berlim, quem sabe fazendo caminhadas pelas trilhas dos Alpes italianos. Até sábado, dia 14, estava tão decidido quanto uma mula a seguir em frente apesar de todo o caos. Mas luzes se acenderam, mensagens foram trocadas e o que já estava grave, agravou-se ainda mais.

Eu até poderia sair de Curitiba e chegar em Pequim. Hoje, dia 20.03.2020 ainda há como chegar lá. Não sei se até o dia 28.03, minha data de partida, isso ainda valerá. Mas mesmo se valesse, eu deveria chegar na China e ir para um Centro de Quarentena por 14 dias. O Universo decidiu por mim. Eu fico em casa. Neste momento o melhor lugar do mundo é a casa da gente e, principalmente, a possibilidade de estar perto da família e do que nos é familiar. Espero que a vida, daquela maneira pré-corona, não demore tanto tempo para voltar. Vai levar meses, muitos, e para isso precisamos nos preparar psicologicamente. Por hora, entramos em um estado de suspensão, de pausa, de introspecção. Mas vai passar. Tudo passa. E quando menos esperarmos, nos veremos para tomar uma taça de vinho, fazermos planos de viagem e nos darmos um abraço bem apertado. Enquanto isso se cuide, lave as mãos e fique em casa.

Ps: quero aproveitar esses novos tempos para escrever mais por aqui. Tenho tanta coisa para contar. Não vou ficar incomodando cada vez que tiver um texto novo, mas de vez em quando vou mandar uma mensagem de oi para você lembrar que estou aqui e que tem coisas melhores para ler do que as notícias do dia. Ah, acho que voltarei a postar mais no Instagram 😉

Today’s sunset

🇬🇧These lines are being typed in confinement, how we nowadays call social distancing or quarantine. This time I am not in a Himalayan retreat nor camping in the Sudanese desert. I am at home and I hope you are so too. Last days have been nothing but surreal. There are moments I can’t believe this is actually happening and that at any given moment somebody will just announce it is all over. But I can’t live in denial. A friend sent me a WhatsApp message which read: “The pessimist complains about the wind, the optimist waits for the wind to stop while the realist adjusts the sails”. I’ve been adjusting sails for days and I know you are probably doing the same.

In a previous life, I would soon be boarding a flight to Beijing. I was enrolled in a Mandarin school. I would spend two months exploring the city’s streets and sights. I would take the bullet train on weekends and once the course finished I would take the slow train to Mongolia and join a camping tour in the Gobi desert. My major doubt was whether to return to Europe with the Transiberian Railway or by taking the return flight to Istanbul to conquer Europe like an Ottoman. I would spend summer swimming naked in the Berlin lakes, maybe even hiking in the Italian Alps. Up until Saturday 14, I was as stubbornly decided as a mule to go ahead as planned in spite of the looming chaos. But lights went on, messages have been exchanged and what was a deteriorating situation turned into something grave.

I could even fly out of Curitiba and arrive in Beijing. Today, 20.03.2020 it is still possible to do so. I don’t know how things will be in a week’s time when I was due to fly out. Even if I still could, I would arrive in China and would be sent immediately to a Quarantine Center for 14 days. The Universe has decided for me. I am staying at home. In such a moment there is nowhere better than our home. Most of all, the possibility to go through these next weeks close to family and what is familiar. I hope life, the one we all had before corona, does not take too long to return. It will take months, many months, and we need to be psychologically prepared to endure them. For now, we are all in this together, in a state of pause, suspension, introspection. It will go away. Everything goes away. And when we least expect it, we will meet again for a glass of wine, to make travel plans and to give each other a nice warm hug. For now, take care, wash your hands and stay at home.

Ps: I will take advantage of this new era to write here more often, about trips, experiences, etc. But I will not be bugging you every time I post a new story. I will just send a message from time to time to remind you I am here and that there are better things to read than the news. I will also be back on Instagram 😉

22.03.2020

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