Coronadays 22.07.2020

Versalhes

Pertencimento. Penso nessa palavra depois de um mês longe de casa. Minha referência de casa ainda é o apartamento do Bigorrilho. Quanto tempo leva para a gente mudar de casa? Caminho pelas ruas de Paris como se vivesse aqui desde sempre. São ruas que conheço bem, quase na palma da mão. Assim como nas caminhadas curitibanas há alguns meses, por aqui também tenho histórias e mais histórias, que voltam de repente como cenas de um filme, dirigido e editado por mim, com amigos e parentes de coadjuvantes. Mesmo assim, não dá para dizer que pertenço a Paris.

Île de la Cité

Me ocupo com essa questão em Paris pois é uma cidade que sempre quis que fosse minha casa, mas que jamais chamei de chez moi. Falo a língua, tenho amigos, conheço seus cantos e recantos. Dou informações na rua, a hora, o caminho para o museu. Conheço as linhas de metrô e os pontos de ônibus, os horários das minhas livrarias favoritas. Levo sempre o guarda-chuva na mochila. Carrego a baguette debaixo do braço. Mesmo assim não me sinto daqui. Sou um passante, uma testemunha da cidade, que logo voa para longe.

Banho de livros na Shakespeare and Company

Talvez deva ser assim. Mantenho minha relação com a cidade sempre apaixonante, sempre com novidades, para que não morra na rotina que os parisienses chamam de metro, boulot, dodo (metrô, trabalho, cama). Fica o desejo de um dia ter um pied-à-terre onde bata muito sol, perto de uma boulangerie e com uma cadeira confortável para escrever histórias, que em Paris, sempre serão muitas.

Fim de tarde pós-confinamento

Andei circulando por aí. Passei uma semana no sul, na região da Provence, onde visitei Arles, Avignon, Aix-en-Provence, Gordes e Nîmes. Comi melão na beira da estrada, visitei o Palácio dos Papas, a Fundação Vasarely e um Campo de Concentração. Cruzei o Rhône várias vezes, segui as rotas dos romanos, bebi vinho rosé e tomei sorvete de pistache. As cigarras e as plantações de lavanda me impressionaram. Senti calor. Foi uma delícia.

Lavanda

Coliseu de Nîmes

Gordes, a linda

Catedral de Arles

Avignon

Aix-en-Provence

Fondation Vasarely

Obras de arte gigantes

Seguindo os caminhos de Cézanne

No fim de semana passado fui rapidinho até a Bélgica. Queria conhecer a cidade de Leuven e me apaixonei pelo lugar. Talvez até trocasse o pied-à-terre parisiense por uma casinha flamenga com vista para um parque bem verde. Seria lindo no outono. Acho interessante a Bélgica, com duas línguas e nenhum governo. Aprenderia a falar holandês e teria uma bicicleta, com certeza. No inverno fugiria para Itacaré, como fazem as andorinhas. Deixo os planos como desejos. Ao realizá-los, deixam de ser magia, tornam-se realidade. Nem sempre a realidade vale a pena, principalmente nos dias de hoje.

Centro de Leuven

Centro de Leuven

Castelo Arenberg

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