Ilhas Faroe em imagens

Sempre gostei de grandes cidades e me agoniava com lugares muito pequenos tipo Ponta Grossa, Cascavel e interior da França. Até mesmo um fim de semana na fazenda ou na praia eram o suficiente para eu voltar feliz da vida para a metrópole (dando um upgrade de categoria para Curitiba, hein?). Morei alguns anos no interior da Suíça e escapava às pressas nas sextas-feiras para qualquer lugar que tivesse ao menos um sinaleiro.

Mas, de um tempo para cá, passei a gostar de me enfiar mato adentro, de admirar paisagens, de estar mais próximo da natureza. Seria a idade? Não sei. Só sei que nos últimos meses tenho me visto em êxtase no meio do lago da fazenda ou perdido em um entroncamento de estradas da Namíbia. Amei Portland, nos Estados Unidos e Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina (apesar de ainda ser apaixonado por lugares do naipe de Los Angeles e Tóquio).

Foi nessa onda do “small is beautiful” que caiu nas minhas mãos um feed do Instagram com imagens incríveis Ilhas Faroe. Entre as sugestões de fotos de homens barbados, homens de cueca, cafés ou bistrôs mundo afora apareceu uma imagem de um lago ao lado de um penhasco com o mar entrando por baixo disso tudo formando uma caverna. Veja aqui:

Passei a seguir o @VisitFaroeIslands e a cada dia ficava mais encantando com as imagens de lá, que pareciam vir de um outro planeta. Daí chega pelo correio um exemplar da Boat Magazine totalmente dedicado às Ilhas Faroe e cheio de artigos incríveis e percebi que tinha chegado naquele “point of no return” em que só voltaria a ser feliz se fosse ver com os próprios olhos tudo o que mostra o vídeo abaixo.

Bem, lá fui eu. Aluguei um quarto na casa do Tórfinnur pelo Airbnb em um vilarejo na periferia da capital Tórshavn, reservei um carro para poder me locomover com total liberdade e fiz um mini-álbum com todos os screenshots dos lugares que queria visitar.

Quando me vi finalmente na estrada local procurando um supermercado para comprar o básico para 4 dias de caminhadas e descobertas tive vontade de gritar de emoção (na verdade eu gritei de emoção, mas fiquei com vergonha de contar). Pronto, eu estava inserido dentro do feed do Instagram.

Informações básicas: o voo de Copenhagen para Faroe dura mais ou menos 90 minutos. São 18 ilhas, quase todas interligadas por pontes e túneis. As que ficam mais longe têm ferries ou helicópteros para chegar. São 50.000 habitantes, sendo que 20.000 moram na capital. São 70.000 carneiros. Eles tem bandeira própria, equipe nacional de futebol, falam feroês (uma mistura de dinamarquês com islandês), não fazem parte da União Europeia e são quase totalmente independentes da Dinamarca. Tudo funciona, afinal escandinávia é escandinávia e todos falam inglês também. No verão nunca anoitece e no inverno nunca amanhece (vá no verão kkk).

Separei algumas fotos para contar um pouco da viagem. Fora isso tem um post chamado Um domingo qualquer nas Ilhas Faroe que havia escrito enquanto estava “preso” por lá por causa do mau tempo. E se você está seriamente pensando em ir para lá, me escreva que marcamos um café.

Moi posando para moi: uma selfie em Borðoy. Como estava sozinho ficava difícil de fazer fotos. Eu colocava a câmera apoiada na guarda da estrada ou no capô do carro, mas o vento não deixava a coisa parada. Essa ficou legal. É uma paisagem típica do mato rasteiro verde fluorescente das ilhas com o mar azul turquesa ao fundo em um dia de muito sol. Pena que não dá para colocar som nessa foto pois tinha dezenas de passarinhos cantando. Neste dia eu saí de Tórshavn e fui até a ponta norte da ilha de Viðoy.

Essa é a minha mesa no Raest Restaurant no centro histórico de Tórshavn antes da garçonete tirar o segundo prato e eu ficar sozinho no lugar. O local serve vários tipos de carne fermentada, o raest. É a maneira como os faroeses estocam comida para o inverno. Eles matam o carneiro ou pescam o bacalhau e penduram numa cabana para deixar que a maresia dê seu toque de sal. Seria a versão local da carne de sol (só que sem sol). Nesse dia a seleção de futebol estava jogando contra a equipe da Suíça para se classificar para a Copa do Mundo da Rússia 2018 então acho que os 20.000 habitantes foram todos para o estádio. Sobrou eu, a garçonete e o chef. Detalhe: veja o carrinho de bebê ali fora da janela. As mães deixam as crianças no frio porque dizem que faz bem (e ninguém rouba a criança). A propósito, eles perderam o jogo por 2×0 e culparam o calor de 14º, que desidratou os jogadores (enquanto isso eu andava de gorro e pulôver).

Continuando na onda comidas, esse é um dos 17 pratos do menu degustação do Restaurant Koks. Esse restaurante tem uma estrela Michelin e usa apenas ingredientes locais. Não lembro o que era esse prato pois escolhi fazer combinação de vinhos com a comida e fiquei bêbado. Mas trouxe o cardápio que escaneei e postei na foto seguinte. Foi uma experiência inesquecível. Imagine que quando eu cheguei no lugar (fui de táxi para poder beber) o pessoal me deu as boas-vindas em português porque sabiam que eu era brasileiro. O garçon da minha mesa era um fofo e quase pedi ele em casamento. Sentei em uma mesa na frente de um janelão com vista para o vilarejo de Kirkjubøur e as outras ilhas no horizonte. Foi no mesmo dia que cheguei, então estava emocionado (lembra que gritei no carro?) e quase chorei (quando viajo sozinho fico emotivo).

Cardápio do menu degustação com acompanhamento de vinhos do Restaurante Koks do dia 7 de junho de 2017.

Parada de tirar o fôlego para tirar a foto. O engraçado é que essas vilas estão espalhadas por todo o arquipélago. Daí a gente passa na frente e não vê ninguém!

As casas típicas das Ilhas Faroe têm grama no telhado para proteger do frio. Neste dia fui visitar uma igreja medieval construída pelos Vikings em Kirkjubøur (Kirk é igreja em faroês). Mas foram padres irlandeses que levaram o cristianismo para lá, junto com os carneiros. Não tinha ninguém morando nas ilhas antes disso.

Este é o porto de Tórshavn, a capital. Por mais que tenha restaurantes, hotéis, lojas e cafés, ainda é uma cidade bastante bucólica. Mas tem CrossFit, bar gay, ferry para a Islândia, clube de remo, sushi bar, livraria e boliche.

Uma das placas de rua no centro de Tórshavn com esse D meio torto e cortado da língua deles, que tem também na Islândia. Sempre que eu passava por ali me vinha na cabeça “levada da breca” (daí me sentia um jacú por pensar nisso).

O programa nas Ilhas Faroe é pegar o carro, dirigir até um lugar de tirar o fôlego, largar o carro na estrada com um bilhetinho dizendo para onde você foi (no caso de você não voltar e alguém poder mandar socorro) e sair caminhando pelas trilhas. Eu levava uma mochila com frutas, sanduíche e água e quando cansava ficava sentado na “relva” lendo um livro e curtindo a natureza. Um dia entrei na área de um ninho de uma gaivota marrom, grande e amedrontadora. Ela ficou me olhando e eu nem me toquei. De repente só senti um barulho e uma rasante na minha cara. Era ela! Me joguei no chão e levei mais 3 investidas do bicho até eu, me arrastando na “relva”, sair de perto dos ovos dela. Por isso que é perigoso ir para lá.

Eles têm uma pira com casinhas coloridas por lá. Acho que por quase sempre nublado e escuro.

Esse é o vilarejo de Gasadalur na ilha de Vágar (perto do aeroporto) e tem uma das vistas mais cinematográficas do planeta Terra. Para chegar até ali a gente passar por um túnel que corta a montanha. Do lado esquerdo tem um despenhadeiro do tipo caiu morreu. E o vento faz a curva naquele paredão ali atrás das casinhas.

Tô falando que a pira é ter casa colorida? Esses eram meus vizinhos. Cada casa nessa rua tinha uma cor diferente. Mas todas as casas tinham crianças já que do outro lado elas têm um micro-jardim com pula-pula.

Essa é a entrada no Raest. É bacalhau seco com manteiga. Pedi uma cerveja local para ver se o bacalhau ficava mais mole dentro da boca antes de engolir. Tem duas cervejarias nas ilhas, a Föroya Bjór e a Okkara.

Nota de 100 coroas faroesas, que valem o mesmo que a coroa dinamarquesa

Eu mando cartões-postais para mim de vários lugares pois adoro chegar em casa e ter cartas me esperando e também para lembrar de que um dia passei por lugares magníficos. 😉 Vejam que o selo é dos correios locais e não da Dinamarca. Eles também têm o próprio código de discagem do país, o +298 e não o +45 da Dinamarca.

E para encerrar, não seria eu sem guias, revistas e mapas. Tenho um fetiche com papel que faz com que volte sempre carregando peso nas malas. Mas o Secrets of the Faroe Islands foi lindo para ler enquanto estava por lá pois dá pequenos snipets da vida local. E um mapa de papel vale por mil mapas do Google.

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