White Rabbit em Moscou, quando Netflix vira realidade!

Vista da janela principal do White Rabbit em Moscou

Fui para Moscou para comer no White Rabbit. Pode parecer exagerado, mas é verdade. Eu tinha uma semana “a planejar” na Europa depois do casamento de dois amigos na Itália. Daí assisti ao episódio do Chef’s Table no Netflix com o chef Vladimir Mukhin e pronto, estava decidido, eu iria atrás dos lábios de alce servidos no restaurante de Moscou.

lábios de alce? essa foi a cara da comis de cozinha ao cozinhá-los e eu faria o mesmo se os visse no meu prato

Antes de mais nada, devo agradecer ao Lula e ao Putin que assinaram um acordo em que brasileiros não precisam de visto para ir à Rússia. Sendo assim, fica bem fácil tomar essas decisões, já que o visto russo é um saco de fazer. Também agradeço ao inventor da internet, pois foi só preencher uma solicitação de reserva no site do White Rabbit e pronto, minha mesa estava reservada.

Jantar ou almoço? Almoço ou jantar? Ai meu Deus, que dilema! Me decidi pelo almoço para poder curtir todo o menu degustação sem cair no sono e para ter o resto do dia para digerir tudo. Acho também que no almoço esses restaurantes frufrus são mais vazios, por isso o serviço é mais ágil e atencioso. Ah, também tem mais luz natural para fazer fotos para o Insta, kkkk.

Olha só essa vista! que só de dia fica assim, lá no fundo está o moderno Moscow City Business District

A chegada é meio estranha. O White Rabbit fica no 16º andar de um prédio comercial ao lado da estação de metrô Smolenskaya. Parece consultório médico até encontrar o elevador especial que chega até o restaurante. Ainda bem que quando a porta se abriu, o sonho virou realidade pois era bem bonito, um pouco carnavalesco, mas bem interessante já que o tema é Alice no País das Maravilhas (sim, acredite se quiser) e o tal White Rabbit é aquele coelho que tem o relógio e está com pressa.

O Senhor White Rabbit

No primeiro andar tem um bar e um aquário com os caranguejos gigantes da Península de Kamtchaka e ostras sei lá de onde. Tem também umas garrafas enormes de Champagne com o nome do restaurante em cristais Swarovski (ok, bad taste) e uma geladeirinha de caviar. O restaurante em si fica no andar superior, sobe uma claraboia enorme com uma vista incrível do skyline moscovita. Deve ser mágico estar ali durante o pôr do sol. Quando entramos (estava acompanhado do meu amigo Milton), uma socialite russa dava entrevista na mesa principal do restaurante, com vista ininterrupta ao domo da Catedral do Cristo Salvador.

Te vejo no meu prato

Como não somos socialites, fomos acomodados em uma mesa ao lado do bar principal, mas perto de um janelão que nos fez sentir quase como se estivéssemos comendo ao ar livre. Fora os motores do sistema de ar-condicionado do edifício, havia um quartinho container ali no teto que descobrimos ser a geladeira masmorra do restaurante (imagina ter que sair até ela em fevereiro, quando faz menos vinte graus, para pegar um frango?).

Bem, escolhemos o menu do chef e fomos informados de que seria uma sequência de cinco entradas e dez pratos. Pedi uma taça de vinho tinto russo da Crimeia para acompanhar e celebrar a anexação russa da península ucraniana. Nazdarovia! Agora era só esperar o primeiro prato. Eu sou vegetariano, mas abro mão dos meus princípios nestas ocasiões especiais. Só não como coisas do tipo língua de rato, o tal lábio de alce e ubre de camela. Então fiquei feliz quando não vi nada de suspeito no cardápio.

Cardápio principal, sem as cinco entradas

pão com manteiga

mini-abobrinhas com um creme que tinha gosto de água do mar

caviar com um mil-folhas de bacon e outra coisa que esqueci. O amarelinho é uma sopa de milho, vulgo pamonha

um dos pratos mais bonitos, temperado com cinzas de cebolas

pedaço da perna do caranguejo da Kamtchaka que vi na entrada com três tipos de caviar e molho delícia aplicado nos pratos pelo garçom fetiche.

olha o tamanho desse moedor de pimenta (e o fetiche aumenta)

outro prato obra de arte com tomates, uvas e presunto

um dos melhores pratos, com cebolas caramelizadas e uma carne de ave russa com gosto de galinha d’angola, mas que o Milton diz que é bacalhau

“sisquici” do que era isso, mas acho que era pato

sobremesa de gosto indefinido, mas que faz parte do charme

essa foto está fora da ordem, mas era um foie gras que foi assado com um maçarico

Ao todo, a experiência foi incrível. Alguns pratos foram realmente memoráveis. Outros interessantes e apenas um meio ok-tenho-que-comer-mas-bebo-vinho-em-cima-em-seguida. No final pudemos escolher um perfume criado pelo chef e saímos para a rua meio embriagados de gostos e eu de álcool já que o Milton não bebe. Se quiser conhecer todas as minhas dicas de Moscou, basta ler o post deste link. Até mais!

carta de vinhos

Rússia com Alice no País das Maravilhas